
- 01.04
- 2026
- 12:46
- Samara Meneses
Acesso à Informação
Nova plataforma monitora impactos socioambientais da transição energética no Brasil
Foi lançado no final de março o Observatório da Transição Energética, uma ferramenta inédita de monitoramento que cruza dados de infraestrutura renovável com áreas de conservação e territórios de populações tradicionais. A plataforma é fruto de uma parceria entre a organização Repórter Brasil, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e o grupo de pesquisa PoEMAS, com apoio da Rainforest Investigations Network (Pulitzer Center) e Fundação Ford.
O Observatório analisou a localização de quatro tipos de empreendimentos fundamentais para a descarbonização: usinas eólicas, usinas fotovoltaicas (solares), linhas de transmissão de alta tensão e mineração de minerais críticos (como lítio, cobre e níquel).
Estes dados foram sobrepostos a 12.395 áreas distribuídas em quatro categorias de territórios:
- 638 Terras Indígenas;
- 429 Quilombos;
- 3.110 Unidades de Conservação Ambiental;
- 8.218 Assentamentos de Reforma Agrária.
Os resultados apontam que a pressão sobre esses territórios é crescente. Dos territórios mapeados, 34% (cerca de 4 mil áreas) já sofrem influência direta de empreendimentos em operação. Quando somados os projetos em fase de planejamento, o índice de impacto potencial sobe para 58% (7 mil territórios).
A ferramenta permite que jornalistas, gestores públicos e lideranças comunitárias baixem fichas detalhadas de cada território. Esses documentos listam todos os projetos na zona de influência, o estágio da obra (operação ou previsão) e o nome da empresa responsável.
Metodologia e Critérios
Os dados, extraídos em setembro de 2025 de bases públicas da Aneel, ANM e EPE, seguem critérios rigorosos de impacto ambiental. Para o cálculo das áreas afetadas, o Observatório utilizou os parâmetros da Portaria Interministerial nº 60/2015, que define zonas de influência que podem chegar a dez quilômetros de distância do empreendimento, dependendo da região e do tipo de atividade.
No caso da mineração, foram listados 27 "minerais de eletrificação", essenciais para baterias e tecnologias limpas. A análise abrange desde processos em fase de pesquisa até concessões de lavra já estabelecidas.