Curso do projeto CruzaGrafos oferece técnicas de investigação baseadas em evidências
  • 03.05
  • 2021
  • 17:00
  • Abraji

Formação

Acesso à Informação

Curso do projeto CruzaGrafos oferece técnicas de investigação baseadas em evidências

O projeto CruzaGrafos, que permite investigações visuais avançadas em grandes bases de dados de interesse público, incorporou em seus treinamentos técnicas de investigação baseadas em dados e documentos. Lançado em jan.2021, o programa de treinamentos apresenta diferentes técnicas aliadas ao uso da ferramenta CruzaGrafos, como também de diversas outras bases de dados. O curso é voltado para jornalistas, pesquisadores e instituições interessados em dados abertos, transparência e investigações de conformidade. 

O CruzaGrafos é uma iniciativa da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e do Brasil.IO, com patrocínio do Google News Initiative, e possibilita analisar e expor relacionamentos entre entidades - pessoas ou organizações -, com base em diferentes bancos de dados.

No curso, os instrutores mostram exemplos práticos de como cruzar informações para encontrar indícios de fraudes ou relações de poder. Por meio do uso de técnicas baseadas em evidências, o CruzaGrafos confere às investigações um alto grau de confiabilidade, devido às informações serem geradas a partir de dados e documentos. 

“As investigações baseadas em evidências podem proporcionar matérias mais bem fundamentadas, a partir de documentos e dados. Além disso, esse tipo de apuração também ajuda jornalistas a entenderem um determinado fenômeno ou problema a partir de uma visão mais ampla, não apenas tendo em vista casos isolados. Numa metáfora, é como se tivéssemos acesso a uma fotografia panorâmica de uma floresta, em vez de um retrato de uma única árvore. Assim, fica mais fácil encontrar pontos fora da curva", comenta Eduardo Goulart, jornalista de dados do CruzaGrafos

Equipes de redações – como a do Globo Esporte, do grupo Globo, e a do jornal baiano Correio – já foram treinadas pelo projeto, assim como pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e da Universidade Federal do Ceará (UFC). Por meio deste programa de treinamentos, os participantes podem se atualizar sobre técnicas utilizadas no Brasil e no mundo em verificações cruzadas e investigações avançadas de dados. 

O projeto implantou dados de todas as empresas do país inscritas na Receita Federal, um total de 43,9 milhões de CNPJs. Além disso, o CruzaGrafos incluiu informações de candidaturas políticas dos anos de 2014, 2016, 2018 e 2020, o que corresponde a 1,1 milhão de pessoas que disputaram cargos públicos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Considerando empresas, seus sócios e candidaturas, o projeto tem agora 70,7 milhões de dados.

O coordenador de projetos da Abraji, Reinaldo Chaves, explica que o curso auxilia os participantes a navegar nesse mar de dados disponíveis na internet, incluindo o CruzaGrafos. "O objetivo do treinamento é justamente mostrar como associar e complementar informações como essas com outras fontes, ferramentas e metodologias”.

Em janeiro de 2021, o projeto lançou a newsletter Investigadora, que trata de casos reais no noticiário que podem ter o CruzaGrafos como ferramenta auxiliar. Por meio de exemplos de grandes reportagens, os editores mostram onde as informações podem ser encontradas em determinados casos. Em cerca de três meses, o boletim já alcançou mais de mil assinantes. Para assinar a newsletter, acesse este link.

Confira mais informações sobre o CruzaGrafos aqui

Como funciona o curso

O treinamento é virtual e possui quatro horas de duração, com a possibilidade de ser realizado em dois dias. O formato foi estabelecido buscando atender às dinâmicas das redações e respeitar as restrições impostas pela situação de pandemia.  

O CruzaGrafos é parte desse treinamento que mostra metodologias e práticas de jornalismo investigativo e passará a trabalhar técnicas baseadas em evidências, com diversas outras informações, bases de dados e investigações para complementar esse novo tópico que foi inserido no curso. 

Confira os temas que serão tratados

  1. O projeto CruzaGrafos e a investigação baseada em evidências 
    Apresentamos como a ferramenta de investigações visuais avançadas funciona e como ela pode ser utilizada com outras fontes de informação.
     
  2. Ferramentas de OSINT, redes sociais e abordagens investigativas com o uso da tecnologia
    Em um mar de dados disponíveis na internet, explicamos como conduzir uma investigação digital. Conhecida como Open Source Intelligence (OSINT), esse tipo de técnica investigativa permite coletar, analisar e apresentar informações a partir de dados públicos. Mostramos metodologias e ferramentas disponíveis, além de traçar um panorama histórico com grandes exemplos nacionais e internacionais sobre o jornalismo de dados.
     
  3. LAI e dados abertos
    A Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) e os dados abertos no Brasil são uma poderosa maneira de pesquisar informações de interesse público para uma investigação. Serão trabalhados conceitos e maneiras de usar as duas possibilidades.
     
  4. Estudos de temas e bases de dados sugeridos pelos alunos 
    Todos os treinamentos têm uma parte personalizada, feita a partir das demandas dos estudantes. Abordaremos temas ou bases de dados de interesse dos alunos e também esclarecemos dúvidas. Os participantes são entrevistados antes das aulas para que indiquem os principais temas ou bases de dados que podem ser aprofundados nas aulas. Com isso, a equipe de instrutores prepara conteúdos para demonstrar aplicações práticas no CruzaGrafos, além de abordar outras fontes de informação e técnicas investigativas.

Material de apoio

A proposta dos treinamentos é priorizar casos práticos e os estudos de temas - assim como de bases de dados - indicados por cada grupo. Além disso, a equipe do treinamento fornece um material didático em formato de PDF com mais de 60 páginas sobre temas teóricos e tutoriais de jornalismo de dados, uso avançado de planilhas, acesso mais eficiente da LAI, pesquisa em cartórios, entre outras questões.

O material didático é dividido em oito capítulos:

  • Introdução ao jornalismo de dados;
  • O projeto CruzaGrafos;
  • Dados abertos e transparência como aliados da investigação jornalística e de conformidade; 
  • Matemática para jornalistas (e todo mundo);
  • A base de dados da Receita Federal;
  • As bases de dados do Tribunal Superior Eleitoral;
  • Investigações com bases em cartórios de imóveis;
  • Ciclo de uma investigação baseada em evidências. 

Os alunos receberão, antes dos treinamentos, 4 pequenos vídeos introdutórios para facilitar a prática e o acompanhamento das aulas ao vivo com esses conteúdos. São eles:

  1. Uso de planilhas;
  2. Ferramentas para uso de PDFs;
  3. Ferramentas de OSINT;
  4. A LAI como ferramenta do jornalismo investigativo. 

Os alunos vão receber ainda um certificado de participação e a possibilidade de serem incluídos, após o treinamento, em uma rede de comunicação para esclarecerem dúvidas e aprofundarem os assuntos, que inclui os instrutores e os próprios alunos de diferentes partes do Brasil. 

Instrutores

Os instrutores do treinamento são jornalistas e desenvolvedores do projeto CruzaGrafos, que serão escalados de acordo com a disponibilidade e com a data do encontro virtual. Os diretores da Abraji são convidados periodicamente para as aulas e também formam o grupo de instrutores. Participam: Katia Brembatti, Amanda Rossi, Thays Lavor, Natalia Mazotte, Luiz Fernando Toledo e Juan Torres.

A equipe principal do projeto é composta por:

Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados, núcleo de jornalismo de dados do jornal O Estado de S. Paulo. Já atuou como repórter e subeditor de Política no mesmo veículo, onde está desde 2008. Entre 1994 e 2006, trabalhou na Folha de S.Paulo, na sede, na Sucursal de Brasília e como correspondente em Buenos Aires.

Reinaldo Chaves, coordenador de projetos da Abraji. Trabalhou com economia e política no Diário de S. Paulo e na Folha de S.Paulo. Fez projetos orientados a dados em: Repórter Brasil, The Intercept Brasil, Volt Data Lab e Transparência Internacional.

Álvaro Justen, programador, professor de programação e fundador do portal de dados abertos Brasil.IO, iniciativa responsável por dezenas de trabalhos sobre dados abertos e jornalismo no Brasil.

Eduardo Goulart, jornalista do projeto CruzaGrafos, editor da newsletter Investigadora e especialista em OSINT (Open Source Intelligence, ou Inteligência de Fontes Abertas). Trabalhou na TV Brasil e publicou em diversos veículos jornalísticos.

Stefano Wrobleski, jornalista de dados e editor no InfoAmazonia e coordenador de geojornalismo na Earth Journalism Network da Internews.

Inscrições

Os treinamentos são pagos e os valores variam de acordo com o porte das empresas, grupos e instituições. Para freelancers, o curso será ministrado em grupos de no mínimo cinco pessoas. Não haverá cobrança para universidades públicas. Empresas de outras atividades podem se inscrever, desde que não sejam dependentes exclusivamente de partidos políticos, de órgãos ligados aos poderes Executivo e Legislativo e de entidades que promovam lobby empresarial.

Os interessados devem procurar o programa de treinamentos pelo e-mail [email protected] para marcar uma reunião inicial de apresentação (sem custo). Cada turma pode selecionar a melhor data e horário para as aulas. 

O CruzaGrafos é aberto (sem custo extra) a todos os associados(as) da Abraji. O público externo pode testar a ferramenta de graça por 30 dias. Clique aqui para mais informações.
 

Assinatura Abraji