CDJor divulga primeiro relatório de ataques online à imprensa nas eleições: 2.630 em 15 dias
  • 09.09
  • 2026
  • 08:57
  • Samara Meneses

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CDJor divulga primeiro relatório de ataques online à imprensa nas eleições: 2.630 em 15 dias

De 16 a 29 de agosto, a Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), da qual a Abraji faz parte, em colaboração com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, documentou 2.630 ataques em postagens dirigidas a 91 veículos de comunicação e 46 jornalistas, além de ataques à imprensa como um todo, no X e no Instagram. No total, foram examinadas 61.989 publicações, reposts e comentários no X, além de 457.235 publicações e comentários no Instagram, a plataforma mais utilizada pelas candidaturas.

No começo da campanha eleitoral, termos como “jornalista militante”, “mídia golpista”, “caiu o pix”, “pesquisa comprada” e “pesquisa falsa” foram registrados no monitoramento de apoiadores e candidatos de todos os espectros políticos, da esquerda à extrema-direita. 

A pesquisa analisou as redes sociais Instagram e X, registrando 1.548 e 1.082 ataques respectivamente. A plataforma X apresentou o maior índice de toxicidade, com uma média de 38,2%. Em contrapartida, a média de toxicidade no Instagram foi de 23,7%. 

Entre os principais debates analisados, a cobertura da eleição presidencial gerou a maior parte das postagens hostis à imprensa, com 1.253 ataques registrados. Em contrapartida, 397 ataques estiveram relacionados à cobertura das disputas estaduais. São Paulo (80), Minas Gerais (77) e Rio de Janeiro (62) foram os estados com maior quantidade de mensagens hostis dirigidas a jornalistas e meios de comunicação durante as campanhas eleitorais.  

Quando esses ataques se voltam contra jornalistas mulheres, observam-se agressões de natureza misógina com o intuito de deslegitimar o trabalho jornalístico. Natuza Nery, apresentadora da GloboNews, foi a jornalista mais atacada nas duas plataformas, com 61 ocorrências no X e 49 no Instagram. Dos 220 ataques direcionados a jornalistas no X, 66,4% foram direcionados a mulheres. No Instagram, 67% dos 273 registros foram direcionados a elas. 

Acompanhe os relatórios da CDJor

O monitoramento faz parte de uma análise sistemática de publicações no X e no Instagram, com dados coletados e processados pelo Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo. A CDJor publicará boletins quinzenais para acompanhar a evolução dos ataques ao longo da campanha.

Clique aqui para acompanhar o trabalho da Coalizão. 

Guia de autoproteção na cobertura eleitoral 

No guia "Autoproteção na cobertura eleitoral: Um guia de prevenção de ataques contra a liberdade de imprensa", a Abraji compilou recomendações práticas para a elaboração de um plano de prevenção ajustado à realidade de cada profissional. A segurança é tratada de maneira abrangente, em suas dimensões física, digital, jurídica e psicossocial, levando em conta que esses riscos muitas vezes se sobrepõem. As diretrizes podem e devem ser adaptadas de acordo com o tipo de cobertura, o veículo, a região e o perfil de cada jornalista. Confira o material completo neste link

Assinatura Abraji