21º Congresso da Abraji vai homenagear as repórteres Fatima Souza e Vera Araújo
  • 10.04
  • 2026
  • 14:12
  • Abraji

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21º Congresso da Abraji vai homenagear as repórteres Fatima Souza e Vera Araújo

As repórteres Fatima Souza, do SBT em São Paulo, e Vera Araújo, do jornal O Globo no Rio de Janeiro, serão as duas homenageadas no 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. A decisão, tomada pela Diretoria da Abraji, reconhece a longa dedicação de ambas à cobertura da segurança pública, com foco na investigação de organizações criminosas no Brasil.

“Em um cenário onde o jornalismo enfrenta cada dia mais obstáculos, Fatima Souza e Vera Araújo representam a importância do espírito de resiliência e comprometimento com a reportagem destemida feita em nome do interesse público. Esperamos que o olhar curioso e as técnicas de investigação que ambas acumularam ao longo da carreira, além da contribuição de ambas para moldar a cobertura de segurança pública no país, sirvam de inspiração para as novas gerações de jornalistas”, destacou Ana Carolina Moreno, presidente da Abraji.


Vera Araújo, no julgamento de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, no corredor do fórum, em outubro de 2024. Crédito: Acervo pessoal


Fatima Souza | Crédito: SBT

A repórter que revelou a existência do PCC

Com mais de 40 anos de carreira, a jornalista Fátima Souza se consolidou como uma das mais importantes repórteres investigativas do país, sendo a primeira mulher a cobrir crimes para a televisão. Atualmente no SBT, sua trajetória inclui passagens pela TV Cultura, Band e Record.

Mas foi na TV Bandeirantes que ela protagonizou a descoberta que marcaria sua carreira e a história do jornalismo policial brasileiro: Em 1997, aos 40 anos, Fatima cobria uma rebelião na Casa de Custódia de Taubaté quando percebeu algo que seus colegas não viram: ao contrário das manifestações caóticas típicas, aquela rebelião parecia organizada, com comando, ordens definidas e faixas com reivindicações coordenadas. A percepção aguçada da repórter a levou a investigar mais a fundo. Após entrevistar um dos membros do movimento, ela conseguiu acesso ao estatuto do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O furo jornalístico foi mal recebido pelo governo estadual paulista. Ela lembra que o então secretário de Administração Penitenciária disse em coletiva de imprensa que a existência do PCC era uma mentira. Já Mário Covas, governador na época, afirmou em uma entrevista à Bandeirantes que a reportagem estava equivocada.

O tempo provou o contrário. Desde então, Fatima seguiu cobrindo a expansão e o fortalecimento do PCC como uma das principais organizações criminosas do continente, além de acumular prêmios ao longo da carreira. O mais recente foi o Prêmio de Melhor Repórter na edição 2025 da premiação Melhores do Ano do Na Telinha. Ela também é autora do livro "PCC — A Facção", lançado em 2007.

 
Fatima Souza | Crédito: Acervo Pessoal

A repórter que revelou as milícias na Zona Oeste do Rio

Era 20 de março de 2005 quando o jornal O Globo trouxe, no alto da página 18, uma reportagem assinada por Vera Araújo com o título “Milícias de PMs expulsam tráfico”, revelando que 42 favelas na Zona Oeste do Rio estavam sob domínio de policiais e ex-policiais militares, que entraram para disputar espaço com as facções de traficantes. O termo “milícia” foi incluído no texto por sugestão de Vera e hoje denomina os grupos paramilitares. O trabalho lhe rendeu o Prêmio Especial Tim Lopes de Jornalismo Investigativo (2009).

Completando 38 anos de carreira, incluindo passagens Jornal do Brasil e O Dia antes de chegar ao jornal O Globo em 2000, Vera segue na reportagem, desde 2012 como repórter especial e também como autora do blog Segredos do Crime. Em 2018, após o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, Vera descobriu testemunhas que a polícia não havia identificado e, por meio de troca de cartas com o miliciano Orlando Curicica, chegou aos nomes de Ronnie Lessa e Adriano da Nóbrega, conectando o duplo homicídio à estrutura do chamado “Escritório do Crime”.

Formada em jornalismo e em direito, Vera também recebeu, entre outros prêmios, o Imprensa Embratel (2003), o Esso Sudeste (2010) e o Mulher Imprensa, categoria repórter de jornal (2012). Ela também atuou como comentarista das séries “Vale o Escrito” e “Lei da Selva” da Globoplay, sobre a guerra do jogo do bicho no Rio. É coautora do livro “Mataram Marielle” (finalista do Prêmio Jabuti) e autora de “O Plano Flordelis”.

 
Crédito: Acervo Pessoal

Homenagem na abertura do Congresso

Fatima e Vera estarão presentes durante o Congresso da Abraji, que acontece de 30 de julho a 1º de agosto no Campus Paraíso da UNIP, em São Paulo. A homenagem acontecerá na tarde de quinta-feira, 30 de julho, no teatro da universidade, com a exibição de um documentário sobre a carreira de ambas, produzido sob a coordenação de Juliana Dal Piva, vice-presidente da Abraji.
 

Assinatura Abraji