
- 18.09
- 2026
- 18:35
- Abraji
Liberdade de expressão
Abraji repudia escalada de violência online contra jornalistas cobrindo as eleições e a corrupção
A duas semanas do primeiro turno, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifesta seu apoio a todas as pessoas atuando na cobertura das eleições brasileiras em 2026, em especial à sua vice-presidente, Juliana Dal Piva, que na última quinzena foi a jornalista que mais sofreu ataques digitais pelo seu trabalho, segundo o monitoramento da Coalizão em Defesa do Jornalismo divulgado nesta sexta-feira (18).
Os ataques a Juliana se intensificaram depois de ela revelar, no ICL Notícias, que o deputado federal Nikolas Ferreira, candidato à reeleição, enviou um áudio a Daniel Vorcaro para tentar intervir em nome de um amigo pessoal seu, interessado na liberação de ativos de mineração.
O monitoramento revelou que, no período, Minas Gerais assumiu a liderança entre os estados com maior número de ataques a jornalistas, com um aumento de 176% na quantidade de episódios de violência digital.
Na segunda quinzena do monitoramento, os ataques em geral cresceram 67,3%.
No caso das mulheres jornalistas, os ataques são especialmente cruéis porque envolvem teor misógino e ameaças de crimes como estupro e contra a integridade física delas e de suas famílias.
A Abraji repudia a covardia com a qual a internet tem tratado jornalistas que publicam as revelações de indícios de corrupção de autoridades e lembra que também é dever da sociedade brasileira zelar pela segurança das pessoas exercendo o jornalismo para mantê-la informada.
Daniel Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e é investigado pela suspeita de comandar um esquema de fraude financeira envolvendo o desvio de mais de R$ 60 bilhões em dinheiro público. Desde então, a sociedade brasileira acompanha estarrecida as revelações de conversas de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal nos telefones de Vorcaro, indicando relações indevidas entre ele e uma série de agentes e servidores públicos, parlamentares com cargo eletivo e autoridades do Judiciário.
Nos últimos meses, as investigações, inicialmente mantidas sob sigilo por determinação de ministro que também manteve encontros pessoais com Vorcaro, só chegaram ao conhecimento da sociedade porque fontes anônimas compartilharam os achados com jornalistas.
Os repórteres, por sua vez, têm exercido sua função de checar as informações das conversas com outras fontes, como registros públicos do Congresso, da Receita Federal e de outros órgãos, para confirmar e contextualizar o teor das conversas.
Não fossem essas reportagens, a pressão da opinião pública não teria sido capaz de mobilizar as autoridades a tomarem medidas para proteger o Estado Democrático de Direito e a integridade das instituições. Por isso, é inadmissível que o trabalho de trazer a público essas denúncias seja atacado por pessoas motivadas politicamente. Em uma democracia, a discordância faz parte da conversa. Mas a violência serve para espalhar medo e calar vozes.
Na reta final do primeiro turno, a Abraji se solidariza com Juliana Dal Piva e as dezenas de jornalistas atuando na cobertura eleitoral para informar a população. E seguirá, junto às demais entidades integrantes da Coalizão em Defesa do Jornalismo, atenta para fiscalizar e denunciar os ataques contra a liberdade de imprensa.
Diretoria da Abraji, 18 de setembro de 2026.