Abraji repudia ataques digitais ordenados por Daniel Vorcaro contra repórteres da revista piauí
  • 30.09
  • 2026
  • 17:36
  • Abraji

Liberdade de expressão

Abraji repudia ataques digitais ordenados por Daniel Vorcaro contra repórteres da revista piauí

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudia veementemente a grave revelação, em reportagem do SBT News, de que Daniel Vorcaro, com apoio de seu grupo, ordenou uma série de ataques digitais contra a revista piauí e seus repórteres entre 2023 e 2025.

Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, está preso desde novembro de 2025 e é acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras bilionárias e crimes contra o sistema financeiro.

A revista piauí foi um dos primeiros veículos jornalísticos a investigar a rápida multiplicação do patrimônio do Master. Em outubro de 2024, após a publicação de uma reportagem assinada por Consuelo Dieguez sobre o tema, o site da revista foi alvo de diversas tentativas de ataque.

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelam que, na mesma época, ele ordenou que sua equipe atacasse o site. “Tenta derrubar amanhã essa revista", “bloquear site”, “pode contratar gente mundo inteiro” e “gasta o que for preciso”, dizem as conversas, segundo o SBT News.

Além disso, ele cogitou acionar uma pessoa da “equipe PF” para telefonar para a repórter para intimidá-la e insinuar que ela estaria cometendo crime ao divulgar as informações.

As conversas ainda mostram que, na mesma época, a equipe de Vorcaro conseguiu invadir o e-mail de Consuelo, aparentemente extraindo suas mensagens de consumo interno e compartilhando-as em um arquivo com o dono do Master.

Em outro episódio, em julho de 2025, dois repórteres da piauí foram alvos de ataques em suas redes sociais. Allan de Abreu e Arthur Guimarães assinaram reportagem sobre uma suspeita de fraude contra o sistema financeiro por parte do Banco Master em um empréstimo relacionado a um terreno na Bahia.

No fim daquele mês, Luiz Phillipi Mourão, funcionário de Vorcaro conhecido como Sicário, informou ao dono do Banco Master que investiria contra os perfis da revista e dos dois repórteres no Instagram.

Dias depois, Mourão disse: “um dos repórteres que soltaram a matéria no piauí, instagram banido” e “o outro vai cair tbm”.

A conta de Allan de Abreu foi banida pelo Instagram por “violação das normas de uso da plataforma” depois que a plataforma recebeu denúncias em massa de usuários. O repórter só conseguiu reaver a conta cerca de 20 dias depois, quando advogados acionaram a Meta, dona do Instagram.

Já Arthur Guimarães não teve a conta suspensa, mas foi vítima de comentários ofensivos em massa por contas muito semelhantes: recém-criadas, com perfil fechado, poucos posts, seguidores e perfis que seguiam.

As mensagens reveladas agora vinculam Vorcaro e Mourão aos episódios de ataques digitais. Mais do que isso, elas escancaram uma estratégia nefasta e antidemocrática de silenciamento e intimidação de jornalistas que são incompatíveis com a liberdade de imprensa.

Também não foi a primeira vez que mensagens de seu telefone revelaram táticas criminosas para atacar jornalistas que atuavam diretamente para lançar luz sobre todas essas práticas.

A Abraji presta sua solidariedade aos jornalistas da piauí vítimas desses ataques e pede que as autoridades brasileiras não minimizem sua gravidade. Também conclama que as plataformas na internet usem toda a inteligência e tecnologia que desenvolveram para tomarem medidas que minimizem os efeitos de ataques em massa coordenados por grupos com exércitos de perfis falsos contra a liberdade de expressão e de imprensa.

Diretoria da Abraji, 30 de setembro de 2026.
 

Assinatura Abraji