Quando se fala em jornalismo investigativo, uma das vertentes mais lembradas é o jornalismo baseado em dados. Mas a relação de jornalistas com números nem sempre é harmoniosa. No Reino Unido, a Sociedade Real de Estatística lançou um conjunto de 12 regras para jornalistas interpretarem números corretamente - a lista de "higiene numérica". O ex-jornalista David Walker está à frente da iniciativa, chamada Getstats, e considera a lista essencial para qualquer repórter. O grupo também propõe que escolas de jornalismo incluam o ensino de estatística na formação de repórteres. Check-list da "higiene numérica" 1. Cuidado com quem fornece os dados. Quem os processou; quais são as credenciais do fornecedor; ele está vendendo algo? 2. Se a reportagem é baseada em uma amostra, essa amostra é uma representação justa do plano maior? 3. O que exatamente os pesquisadores perguntaram (em casos de enquetes ou pesquisas de opinião, por exemplo)? O que o público entende pode não coincidir com a ideia que o pesquisador tinha ao formular a questão. 4. Que tipo de dado foi fornecido: média ou mediana? 5. Ao trabalhar com uma amostra, cheque a margem de erro fornecida. Dependendo do caso, a comparação entre dois ou mais elementos fica prejudicada. Por exemplo, uma pesquisa que aponta que 52% de pessoas são a favor do aborto e tem margem de erro de 3 pontos não afirma categoricamente que mais da metade dos entrevistados é a favor do aborto. 6. Uma alteração nos números não representa uma tendência. Desvios aparecem frequentemente. Por exemplo: um número que seja muito maior do que os demais pode prejudicar o cálculo de uma média simples. 7. Cuidado ao fazer associações de causa e efeito. Números nem sempre fornecem relações diretas. 8. Na hora de mostrar casos raros/diferentes, as reportagens devem contextualizá-los. 9. Comparações podem fazer riscos ficarem mais inteligíveis. Ao apresentar o risco de morrer durante uma cirurgia com anestesia geral, por exemplo, diga que ele é igual, em média, ao risco de morrer andando de moto a 100 km/h. 10. Dê uma visão equilibrada dos números que estão sendo mostrados. "Pode ser de até 1.000" aponta para um extremo; melhor dizer "é pouco provável que seja maior do que 1.000". 11. Ao mostrar a frequência de um evento, faça-o em relação a um certo número de pessoas. Por exemplo: uma em cada cem pessoas são atingidas por raios na cidade de Jundiaí. 12. Use gráficos só quando forem claros e contarem a história que está no texto. Perdendo o medo Alberto Cairo, ex-diretor de infografia da revista Época, recomendou no blog Periodismo com Futuro leituras que podem ajudar a criar mais intimidade com números e estatísticas. Livros Precision Journalism Statistics Explained Thematic Cartography and Geographic Visualization Damned Lies and Statistics On-line Cursos gratuitos do MIT (Massachussets Institute of Technology) Data Journalism Blog The Stats Blog Stats with Cats Com informações de Journalism.co.uk e blog Periodismo con Futuro
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