Jornalistas mulheres são atacadas no Twitter ao comentar condições de trabalho na posse presidencial
  • 02.01
  • 2019
  • 18:26
  • Cristina Zahar

Liberdade de expressão

Jornalistas mulheres são atacadas no Twitter ao comentar condições de trabalho na posse presidencial

Jornalistas mulheres que se pronunciaram contra as condições de trabalho a que profissionais da imprensa foram submetidos durante a cobertura da posse do presidente Jair Bolsonaro, em 01.jan.2019, estão sendo assediadas virtualmente nas redes sociais. A Abraji denunciou em nota as restrições ao trabalho da imprensa, que afetou a circulação de jornalistas durante a cobertura da posse presidencial, em Brasília.

Não bastasse esse cenário, jornalistas mulheres que comentaram o fato nas mídias sociais foram atacadas e até ameaçadas. Tabata Viapiana, da CBN, e Amanda Audi, do Intercept, foram nominalmente citadas em um vídeo divulgado no perfil do Twitter do Conexão Política e tiveram seus perfis divulgados, o que gerou uma enxurrada de comentários com discurso de ódio. "Eles estavam no Palácio do Planalto, e meu comentário foi sobre as condições de trabalho no Itamaraty. Até rebati alguns comentários, mas fui chamada de mentirosa e desisti de responder", afirmou Tabata Viapiana.

Amanda Audi e suas colegas de Intercept Bruna de Lara e Nayara Felizardo também vêm sofrendo assédio virtual desde pelo menos 23.12.2018, quando o presidente Jair Bolsonaro resolveu bloquear jornalistas do Intercept. Bruna de Lara fez um tweet sobre o fato e começou a ser xingada. Ela escreveu depois que um dos haters era um ex-assessor do deputado federal Eduardo Bolsonaro. "Postei o Diário Oficial com a data de contratação e exoneração do assessor. Ele me xingou e ameaçou: 'Vai ficar me expondo, dondoca?' Resolvi fazer um boletim de ocorrência. Mas só consegui caracterizar como injúria, não como ameaça", contou.

Já Nayara Felizardo, também bloqueada no Twitter pelo presidente Bolsonaro, quis se solidarizar com a menção a Amanda Audi no vídeo do Conexão Política e foi chamada de "jornalista esquerdista". "Eles nem leem o que escrevo, são agressões gratuitas, para ofender mesmo. Quando se cansam de atacar minha profissão, partem para comentários machistas", disse. As três repórteres discutirão na próxima semana com o departamento jurídico do Intercept se entrarão com ação coletiva por danos morais.

Assinatura Abraji