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04/09/12 - 18h09 - Karin Salomao
Jornalista é agredida e tem jornais roubados no interior de SP


A jornalista Monize Taniguti relatou ter sido agredida na manhã do dia 1° de setembro quando transportava dois mil exemplares do semanal “O Jornal”, do qual é diretora. Segundo ela, a abordagem aconteceu no caminho de Barretos, onde fica a gráfica, a Guaíra, cidade em que os jornais seriam distribuídos. Após desferirem tapas nos braços e no rosto da jornalista, os responsáveis pela abordagem teriam levado todos os exemplares do jornal. Monize Taniguti acredita que a agressão foi motivada por seu trabalho como jornalista. 

A jornalista conta que foi cercada na manhã do sábado (1º.set.2012) na Rodovia Assis Chateaubriand por dois carros que fizeram com que ela parasse no acostamento. Um dos suspeitos, armado, assumiu a direção e a levou até um canavial, onde fizeram com que descesse do carro e se ajoelhasse. Enquanto isso, retiravam todos os exemplares do jornal do seu carro, que seria distribuído no fim de semana, sempre segundo seu relato. A jornalista também afirmou que, durante toda a ação, sofreu agressões e ameaças.

Essa não foi a primeira vez que ela sofreu pelo seu trabalho como jornalista. Desde que assumiu o jornal, em junho desse ano, ela diz ter recebido diversas ligações com ameaças e avisos. “Recebi ligações dizendo `vai com calma´, `você não sabe com quem está mexendo´, `toma cuidado, essas pessoas são poderosas´. Várias vezes ligavam no meio da madrugada e desligavam em seguida”, disse Monize em entrevista à Abraji. Segundo o relato da jornalista, no sábado os agressores repetiam “Isso é para você aprender, para ver com quem você está mexendo. Abre seu olho”.

O jornal já existe há anos na cidade, mas a jornalista diz que sua direção é diferente: “minha linha é muito questionadora, questiona o governo, proprietários de loteamentos, questiona a corrupção”. A agressão sofrida não irá alterar essa linha. “O jornal continua, é meu trabalho. Eu sou jornalista e vivo disso”, diz ela. A edição roubada será reimpressa, com tiragem de cinco mil exemplares.

Monize Taniguti diz que vai mudar o método de transporte do jornal, impresso a 44 km de Guaíra, onde é distribuído. Ela afirma que não irá mais buscar os jornais, mas que irá procurar uma transportadora.

O caso foi registrado na Delegacia da Polícia Civil de Guaíra. As investigações começaram no dia 4 de setembro, quando Monize relatou o seu testemunho ao delegado Evandro Abraão Nacle. Segundo o delegado, a advogada da jornalista requisitou que se mantivesse a investigação em sigilo e, por isso, ele não forneceu mais informações.


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