Em palestra no 7o Congresso de Jornalismo Investigativo, Frank Smyth, fundador da Global Journalist Security, falará sobre sua experiência em cobertura de áreas de guerra e dará conselhos e dicas para a proteção dos jornalistas que se embrenham em situações das mais perigosas para conseguir a melhor história. Sua palestra, “Medidas de proteção para jornalistas em coberturas de conflito armado ”, será na 5a feira, dia 12 de julho, às 9h. À mesa também estarão os palestrantes Marcelo Moreira (TV Globo/Abraji), João Paulo Charleaux (Conectas Direitos Humanos) e Rodney Pinder (International News Safety Institute/Inglaterra).
A Global Journalist Security oferece treinamento a jornalistas e defensores de direitos humanos para ajudá-los a passar pelos desafios de um mundo em mudança. O treinamento não cobre apenas protocolos militares, mas também situações de agressão sexual, segurança da informação digital, segurança ao cobrir o crime organizado, agitação civil, riscos de combate, primeiros socorros e apoio psicológico.
O fundador e diretor executivo da GJS é um jornalista veterano. Frank Smyth cobriu diversos conflitos armados, crime organizado e abusos de direitos humanos em El Salvador, Guatemala, Cuba, Colômbia, Ruanda, Uganda, Eritreia, Sudão, Jordão e Iraque, onde, em 1991, ficou preso por 18 dias. No decorrer dos anos 90, foi investigador de tráfico de armas para a Human Rights Watch.
Mas não foi apenas sua experiência em cobertura de conflitos armados que o levou a criar o Global Journalist Security. Foi também sua experiência de investigação jornalística em temas como tráfico de armas em Ruanda, antes do genocídio da nação africana em 1994, e tráfico de drogas envolvendo militares aposentados na Guatemala.
Seu trabalho em questões de segurança para jornalistas no Comitê para Proteção de Jornalistas, onde ainda é conselheiro, e na diretoria do International News Safety Institute também foram importantes. “Eu estabeleci o GJS para fornecer um treinamento adaptado, para desenvolver habilidades como vigilância, conscientização para a segurança pessoal, segurança digital e base psicológica para tratar com ameaças de morte”.
De acordo com ele, aproximadamente três em cada quatro jornalistas mortos ao redor do mundo são assassinados. Um jornalista é assassinado em algum lugar do globo a cada 11 dias. Ou seja, jornalistas em países como México, Paquistão e Rússia enfrentam mais riscos que jornalistas em combate. Sobre a situação no Brasil, ele lembra a morte do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, morto em tiroteio entre a polícia e traficantes. Até mesmo em zonas de guerra, como Iraque e Afeganistão, mais jornalistas foram assassinados que mortos em combate. Por isso, preparar os jornalistas para perigos em áreas de guerra, com minas terrestres ou outras armadilhas, poderia ajudá-los na cobertura em locais como Afeganistão ou República Democrática do Congo. “Porém, o que jornalistas na maioria das nações precisa hoje é um conjunto diferente de habilidades. Habilidades elaboradas pelas melhores fontes, que incluam protocolos tanto civis quanto militares”, diz Smyth.
“Eu sei como é estar ameaçado, baleado, preso, detido, interrogado, e eu sobrevivi a tais experiências em diversos continentes. Sei como é perder pessoas que você admira e ama para a violência humana”, lamenta ele. Por isso, se dedica em seu trabalho a passar dicas e treinamentos para a proteção de jornalistas ao redor do mundo.
Na sua opinião, as situações de maior risco para o jornalista são tentar documentar o abuso de poder em nações onde o assassinato de jornalistas segue impune. De acordo com o relatório do Impunity index, do Comitê de Proteção ao Jornalista, o Brasil está em 11° lugar no índice de impunidade de crimes contra jornalistas.
O conselho que Frank Smyth dá aos jornalistas que querem cobrir áreas de risco é “calcule cada passo. Reavalie a situação e pense que você pode estar errado [ao aceitar o risco por uma boa história]. E faça todo o possível para ser responsável por sua própria segurança”.
7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo
Quando: 12, 13 e 14 de julho de 2012
Onde: São Paulo - Universidade Anhembi Morumbi - campus Vila Olímpia - unidade 7 (Rua Casa do Ator, 275)
Inscrições: http://bit.ly/7Congresso
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