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08/07/11 - 17h09 - O Globo
Os estudantes têm um problema: como escrever?


Publicado no “O Globo Blogs” em 23 de junho de 2011

Tenho pensado muito por estes dias: qual é o sonho de todo estudante de jornalismo? Conseguir uma boa vaga em uma grande redação? Aparecer na televisão? Escrever uma grande matéria? Conseguir um furo nestes tempos áridos de padronização da notícia? Eu não sei. Porém, tentando encontrar um ponto de encontro entre estes itens, percebi que todos passam pela atividade mais importante e mais trivial da profissão - e que deveria ser a grande conquista de cada dia - : saber escrever um bom texto.

Pode ser irônico, escrito assim neste blog de bebês da redação, mas, acredito, que é o que todos buscamos, colocar uma vírgula certa aqui, encaixar um título perfeito acolá, encontrar sem ser purista, a melhor palavra para expressar o que buscamos em muitas horas (quando há) de correria, dedicação e apuração.

A origem de todas as questões acima está na leitura da reportagem "Artur tem um problema", de João Moreira Salles, publicada na edição 40 da revista Piauí que resolvi ler nesta semana para aquecer para a palestra do jornalista no 6º Congresso de jornalismo da Abraji, semana que vem em São Paulo. Todos os estagiários aqui da redação já estão no clima da viagem e João vai falar sobre Artur e o prêmio Esso de Informação Científica que ganhou pela reportagem. As palavras de João que tecem o desenrolar da narrativa aguçam o olhar clínico de quem deseja compreender os passos da profissão desde o feijão com arroz da apuração até o momento criativo de brincar com as metáforas que podem ser feitas com a história.

Mas esta é a apenas mais uma reportagem, dentre tantas outras dos mestres do jornalismo que podemos ter como espelho. Abaixo, um trecho da matéria:

Artur tem um problema

"(...) a diferença entre a matemática da escola e a dos centros de pesquisa se mede não em graus de complexidade, mas em saltos de qualidade, como se a matéria dos bancos escolares fosse a lagarta e a alta matemática, a borboleta. Imagine-se alguém que jamais tivesse visto a segunda. Para essa pessoa, seria impossível, da lagarta, intuir a borboleta. Essa pessoa somos todos nós, os não-matemáticos."

 


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